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| O pseudo "menir de Cepães" |
Menir é um termo de origem Bretã que significa men – pedra e hir – longa. Em português, também se denomina perafita, do latim “petra ficta”- pedra fixa/fincada.Os menires são monumentos pré-históricos relacionados com um culto à fertilidade, daí, talvez, a configuração fálica presente na grande maioria destes monumentos que, podem também apresentar-se em conjuntos, normalmente formando círculos designados cromeleques.
Mais abundantes no sul do país, os menires aparecem em reduzidíssimo número no Baixo Minho.
O menir é portanto um bloco, geralmente granítico, talhado pela mão humana de forma alongada e secção semi-circular, podendo atingir, em Portugal, cerca de seis metros de altura. O megálito era cravado no solo, assumindo uma posição vertical.
No nosso país estes monumentos estão relacionados com a Cultura Megalítica, entre cerca de 4.000 e 2.000 anos a.C., do Neolítico à Idade do Bronze.
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| Menir de S. Paio de Antas |
De algum tempo a esta parte, ciclicamente, lemos ou ouvimos referências ao “menir” de Cepães, localizado na Fonte da Cana. O pretenso “monumento megalítico pré-histórico”, várias vezes mencionado em várias publicações sobre Fafe, não é mais que um comum afloramento granítico, com fissuras erosivas, por vezes na vertical, aspecto que certamente iludiu os “estudiosos” da pré-história fafense, que por ignorância conseguiram “enganar” o bom Povo de Cepães, que em boa parte continua a acreditar na interpretação descabida do “menir”. Quando muito estamos na presença de uma curiosidade geológica, um capricho da natureza, que o Povo, em tempos, apelidou de “Penedo do Santo Entrudo”, associando-lhe lendas e histórias, próprias de um imaginário popular, que, esse sim deve ser preservado enquanto Património Cultural Imaterial.
O “menir” de Cepães é portanto um erro interpretativo que confunde um banal afloramento granítico com um monumento pré-histórico bem tipificado e de fácil identificação… para quem conhece, é claro.
A fechar digo que, apesar da riqueza arqueológica do concelho em monumentos funerários megalíticos, não foram, até ao momento, identificados menires de fabrico pré-histórico.
Cepães tem valores arqueológicos conhecidos e terá outros por descobrir, é nesse Património que devem concentrar-se as atenções, abandonando de uma vez por todas fantasias que em nada contribuem para o real conhecimento dos valores Patrimoniais deste Município.


2 comentários:
Parabéns pelo seu elucidativo texto, desmistificador de uma "lenda" existente no concelho, reiteradamente apresentada em livros e revistas sobre o concelho, enfim, esclarecedor de um mito que teima em permanecer, décadas após décadass.
Se não há um "menir de Cepães", como há muito já se adivinhava, até pela localização do concelho, em que estes vestígios não existem, porque é que se há-de continuar a bater num ceguinho que não faz qualquer sentido? Não há, esqueça-se!
O Menhir de Cepães, será que nâo existe, eu duvido. Se vem mencionado dede a Idade-Média, assim com Crastos em Cepães, também não existem?
O Escritor Cepanense referiu-se a ele nas suas crónicas.. e o falecido Sr. Dr: Cónego de Araújo, de saudosa memória, estudou-o e inventariou-o, logo aí, alguma coisa não bate certo?
Se não é na Avª da Fonte da Cana, onde é? Vamos procurá-lo.. Ou será que outros interesses se sobrepuseram, como fizeram com o Castro de Castelhão em Fafe?, e tantos outros, como é de costume nesta terra tao pobre de Monumentos Megalíticos...
Limão
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