Mamoas do Sol Poente estão ameaçadas



A proximidade de dois túmulos pré-históricos a uma área de forte pressão urbanística, mais concretamente na Av. Sol Poente, é uma ameaça para estas “mamoas”; uma delas foi já soterrada com depósitos de entulhos, supostamente clandestinos. O outro monumento localiza-se a escassos metros de uma vivenda na confluência do citado arruamento.


Estes monumentos megalíticos foram identificados em 2003, aquando da actualização do levantamento arqueológico do concelho, promovido pelo Município de Fafe.

Perante a Lei do Património Cultural, todo e qualquer imóvel inventariado, passa a ter um tratamento especial de protecção, beneficiando inclusivamente de uma zona “non aedificanti” com um perímetro mínimo de 50 metros.




Associação ATRIUM reivindica protecção das mamoas


A Associação do Património Histórico e Arqueológico de Fafe vai, brevemente apresentar um plano de salvamento para os monumentos em questão, visando a sua preservação e posterior valorização. A classificação daqueles túmulos pré-históricos como Imóveis de interesse Municipal, é segundo aquela Associação, um passo importante para a sua preservação.


A ATRIUM declara que aquele Património Arqueológico não pode ser perdido até porque constitui um oásis no âmbito do conhecimento da origem ancestral deste torrão que um dia adoptou o nome de Fafe. Os parcos testemunhos de uma vivência histórica com mais de cinco milénios deve ser um orgulho para todos os fafenses que têm por obrigação preservar esta memória colectiva, transmitindo às gerações seguintes um legado comum que deve ser dignificado.

POVOADO CASTREJO DE SANTO OVÍDIO - O PRINCÍPIO DO FIM OU O INÍCIO DE UM FUTURO MELHOR?


Este é o aspecto com que se depara o visitante às ruínas arqueológicas do Povoado Castrejo de Santo Ovídio. Apesar das diligências junto do Município e do IGESPAR, o quadro continua igualmente degradante!

ARTE DO CÔA PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE HÁ 11 ANOS


BREVE OLHAR SOBRE A ARQUEOLOGIA DE FAFE



O Concelho de Fafe é fértil em vestígios arqueológicos que, no estado actual do nosso conhecimento, traduzem uma ocupação humana, neste território, pelo menos desde o Neolítico final.
A este período são atribuídos alguns monumentos megalíticos, implantados nas terras altas de Fafe. É na Serra de Fafe, aliás, que reside o maior número de túmulos Pré-Históricos, cerca de meia centena. As freguesias de Aboim, Monte e Pedraído, são as que detêm maior número de vestígios megalíticos.
Deste mesmo período foram já identificadas algumas mamoas em áreas de menor altitude, a Sul do Concelho. Em Fafe, Armil, Quinchães, Arões (Santa Cristina) e Arnozela, foram identificadas algumas necrópoles e monumentos funerários isolados, Pré-Históricos.
Embora não se conheça a tipologia do habitat do Homem da Idade do Bronze por estas paragens, sabe-se que durante aquele período, o território que actualmente corresponde ao Município de Fafe era ocupado e muito provavelmente estará na origem de alguns dos povoados fortificados existentes.
Podem contar-se alguns abrigos, em afloramentos graníticos, cuja cronologia ainda é desconhecida.
Na freguesia de S. Gens existe um pequeno painel rochoso gravado, único exemplar de arte rupestre, conhecido até ao momento em Fafe, atribuível à Idade do Ferro.
A Cultura Castreja está aqui bem representada em dez povoados conhecidos até ao momento: Santo Ovídio, Fafe, Portela em Ribeiros, povoado de Lustoso em Paços, Retortinha em Cepães, Silvares S. Martinho, Castelo em Moreira do Rei, Travassós, Motim em Quinchães, povoado de S. Gens e Sancibrão em Seidões.
Da mesma forma que a Cultura do Bronze estará ligada aos povoados Proto-Históricos, também vestígios materiais da Romanização surgem com frequência associados a povoados de cariz indígena.
O Império Romano deixou também, por aqui, as suas marcas em quatro villae conhecidas na parte Sul do Concelho, mais precisamente nas freguesias de Antime, Silvares S. Clemente, Regadas e Arnozela.
A Idade Média é representada por pontes, necrópoles, sepulturas escavadas na rocha, sarcófagos, vestígios de um castelo roqueiro localizado em Quinchães e a jóia do património românico fafense, o Templo de Arões S. Romão.

















UMA PROPOSTA PARA DOMINGO



À semelhança dos anos anteriores, irá decorrer na Citânia de Briteiros, no próximo dia 6 de Setembro, uma actividade de Recriação Histórica, a "Citânia Viva".
O evento visa reconstituir um pouco o aspecto de algumas actividades do dia-a-dia na Idade do Ferro, no que seria um aglomerado importante na região do Entre-Douro-e-Minho. Não se tratando de Arqueologia Experimental, a Citânia Viva é um conjunto de encenações de algumas actividades específicas, nas quais se inclui um "almoço castrejo", um ritual de incineração e um "conselho dos anciãos".
O evento é organizado pela Casa do Povo de Briteiros, recorrendo a figurantes voluntários da comunidade local e alguns participantes de fora.

PONTE MEDIEVAL REVELA PENTAGRAMA



Estrela de 5 pontas (pentagrama)

Arco pricipal da ponte visto de jusante



Dando continuidade ao estudo da ponte medieval de Bouças-Sangidos encetado pela Associação ATRIUM, no passado sábado 29 de Agosto foi realizada a observação do intradorso do arco principal desta ponte, tarefa, até aqui, dificultada pelo elevado nível de poluição do rio. Agora que as fábricas a montante pararam para férias o rio apresenta-se mais limpo… infelizmente não será por muito tempo.
Na intervenção de 25 de Julho foram registados doze silhares com siglas no intradorso do arco quebrado da ponte. Trata-se de pequenas inscultruras representando os dois primeiros algarismos da numeração romana (I) e (II).
Nesta primeira observação do intradorso do arco maior, (carecendo de limpeza a pente fino das superfícies expostas dos silhares), não foram detectadas outras siglas para além de uma estrela gravada de forma pouco vincada num dos elementos graníticos do paramento intradorso da margem direita, próximo das aduelas para jusante a cerca de três metros da base actual do leito do rio.
O símbolo (estrela de 5 pontas), ocupa uma área de 10 cm2.
O nosso país não é fértil em estudos aturados de pontes medievais, pelo que não existe ainda, na minha modesta opinião, conhecimento suficiente para análises comparativas, sobretudo de âmbito regional.
É do consenso geral que este tipo de estruturas medievais ostenta marcas gravadas na pedra, designadas por siglas que muitas vezes identificam o ateliê onde os silhares foram talhados e mais esporadicamente exemplos epigráficos.
A ponte de Bouças-Sangidos não é excepção apresentando um total de 13 pequenas marcas até ao momento (lembre-se que ainda está por fazer a limpeza a pente fino e com ela podem surgir novos elementos).

O Pentagrama

A estrela de 5 pontas parece ter sido a representação astral preferida pelo Homem ao longo da História. Vulgarmente conhecida por pentagrama a estrela tem uma enorme carga simbólica, divergindo os significados consoante a época histórica e a religiosidade.
O pentagrama desta ponte parece ter sido gravado posteriormente à sua construção e inclinamo-nos mais para uma interpretação cristã, (as 5 chagas de Cristo). A orientação da estrela com apenas um dos bicos para cima exclui qualquer significado satânico onde a estrela é invertida apresentando dois bicos para cima numa atitude de vitória do mal sobre o bem.
Entretanto vamos continuar o nosso trabalho de interpretação deste magnífico exemplar da arquitectura Românica em Fafe.