UM ACHADO ARQUEOLÓGICO EM SERAFÃO




No jornal “O Desforço” de 24 de Abril de 1930, encontramos a notícia seguinte que demonstra uma sensibilidade para o Património Arqueológico… há mais de oito décadas!
“ Na importante e pitoresca freguesia de Serafão, deste concelho, uns trabalhadores que abriam um caminho particular em propriedades do nosso amigo snr. João G. de Macêdo, em Vilarêlhe, depararam com um achado arquiologico que, por interferência do estimado e inteligente professor nosso amigo snr. Francisco d’O. Mota, não foi mais tocado, até que um técnico verifique da exactidão desse achado.

Em carta para o «Janeiro», já o nosso colega José Pinto Bastos aludiu a esse achado, que verificou de viso, tendo a noticia, saída no nº do dia 19, causando certa sensação.

O achado consta de uma sepultura que estava 0,m70 de profundidade da terra, com terreno arenoso em volta, e, por cima, uma camada humosa com pedregulho. Estava meia de substancias untuosas escuras, misturadas com fragmentos carbonizados. Mede 1,m80 de comprido, 0,m50 de largura e 0,m57 de profundidade. A capa tem 1,m20 por 0,m95 e a pedra que lhe serve de apoio deve medir o mesmo.
A espessura é de 0,m15.

Deve ser um achado secular, que talvez tenhas grande importância e mereça o estudo de atquiologos para vir a figurar num museu.”

In: jornal “O Desforço” de 24 de Abril de 1930

A NECRÓPOLE MEGALÍTICA DE LAMEIRAS - ABOIM


A Norte de Aboim, num lugar designado Lameiras, não muito longe da aldeia de Figueiró, encontramos esta necrópole Pré-histórica, constituída por 4 túmulos megalíticos. No meio de uma paisagem que parece ter parado no tempo, esta necrópole espera por uma intervenção ciêntifica e posterior valorização, nomeadamente a sua musealização.
A necrópole megalítica de Lameiras é um dos mais importantes conjuntos funerários da Pré-história fafense.

 

A imponente mamoa 1

Monumento 4



Ver NECRÓPOLE MEGALÍTICA DE LAMEIRAS ABOIM num mapa maior






Pastora e seu rebanho na área da necrópole

RUÍNAS DO POVOADO CASTREJO DE SANTO OVÍDIO CARECEM DE INTERVENÇÃO URGENTE

Antes de entrar no assunto desta mensagem, quero aqui congratular-me com o facto de ter sido removida a corrente de interdição de passagem para acesso às ruínas. Ainda bem que as nossas observações, têm por vezes resultados práticos e positivos.


Aspecto actual das ruínas, vista parcial

A propósito das ruínas a descoberto, elas continuam ameaçadas, tornando-se imperioso realizar uma intervenção que vise conservar aquelas estruturas que correm sério risco de destruição.


Sem consolidação as estruturas vão desmoronando





As pressões das terras vão provocando desmoronamentos



Raízes de giesta e outras plantas deslocam elementos das estruturas 


A Associação ARCO de Santo Ovídio, com o patrocínio do Município de Fafe, promoveu, no corrente ano duas acções de limpeza de matos que, sendo importantes, não resolvem inteiramente a boa conservação do conjunto arqueológico.
Consolidação e restauro é o que tem de ser feito de imediato para não perder aquelas ruínas com mais de dois milénios.  


Colocar elementos caídos sobre a coroa das estruturas é como
tentar "tapar o sol com a peneira"

Todas as fotos incluídas nesta mensagem foram recolhidas no dia 28 de Setembro de 2011







O SARCÓFAGO ROMANO DE GOLÃES


Na freguesia de Golães, junto à Igreja Paroquial, existe um sarcófago monolítico cuja antiguidade é agora proposta por Mário Barroca, docente na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. O especialista defende a grande probabilidade deste sarcófago ser romano, (cerca de 2.000 anos). Até ao momento não foi possível conhecer a sua proveniência, contudo há notícias do aparecimento de vestígios romanos relacionados com a existência de uma necrópole (cemitério) naquela freguesia, atestando a inevitável ocupação romana durante o período romano em Golães.

O jornal “A Voz de Fafe” datado de 19 de Agosto de 1933 publicou um pequeno artigo intitulado “Arqueologia – Um Apêlo aos Habitantes do Concelho”, que, a este propósito, refere o seguinte: “Quando da abertura da estrada de Golães, foram encontrados n’uns terrenos do Sr. Conde de Azvêdo, umas bilhas que faziam parte d’uma necrópole, que bem podia figurar num muzeu, mas desapareceram.
Lembramos á Ex. Ma Câmara a conveniência de recomendar, aos encarregados das novas estradas o maior cuidado quando nas escavações apareçam destas preciosidades”.

O sarcófago de Golães tem 2,51 m. de comprimento, 0,80m. de largura média e 0,50m. de profundidade. Foi fabricado num único bloco de granito de grão fino. Tem uma configuração ovalada e vestígios para o encaixe de uma tampa, alegadamente em pedra que entretanto desapareceu. Um dos bordos apresenta forte desgaste por ter servido, posteriormente, para afiar armas e/ou ferramentas. Na parte exterior apresenta uma “tabula ansata” rectangular, anepígrafa, que também parece posterior.

Esse sarcófago, mais antigo conhecido no concelho de Fafe até ao momento, foi identificada por Henrique Regalo, técnico da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho que em 1981 realizou o primeiro levantamento arqueológico do concelho de Fafe. Na altura foi-lhe atribuída uma cronologia mais tardia, nomeadamente medieval. O jovem arqueólogo fafense João Machado realizou em 2010 um trabalho sobre a temática “Sepulturas Medievais do Concelho de Fafe”, trazendo à discussão a cronologia do sarcófago de Golães, certamente anterior à época medieval.

Os vestígios arqueológicos do período romano na freguesia de Golães dão novas pistas para o conhecimento da génese da ocupação humana naquela terra já conhecida por uma antiguidade recuada à alta Idade Média (séc. V ao ano 1000).

A arqueologia é uma disciplina que nos permite estudar vestígios ancestrais da ocupação humana, desvendando as raízes mais profundas de uma determinada comunidade. No caso concreto de Golães essa raiz pode agora ser recuada à época romana, (séc. II a.C ao séc. V da nossa Era).






TRÊS PEDRAS DE ARMAS DE FAFE NO MUSEU ALBERTO SAMPAIO EM GUIMARÃES


Damos aqui notícia de três pedras de armas que integram as colecções do Museu Alberto Sampaio na vizinha cidade de Guimarães.

Há muito que referimos a “fuga” de Património fafense para outras cidades. Este é mais um exemplo em que os doadores das peças deram preferência a uma Instituição de fora do concelho. Fafe nunca criou condições para que este tipo de espólios permanecessem no seu lugar de origem, não tem um Museu da Cidade com núcleos interpretativos dispersos por várias freguesias, carece de um local nobre para a preservação e divulgação da História local nas suas diversas vertentes.


 
 

Pedra de Armas do século XVIII, (Nº inventário do M.A.S. – MAS L 37), proveniente da Casa da Quintã, freguesia de Arões, S. Romão

Doação de António Leite de Castro.

Altura – 136 cm
Largura – 83 cm
Profundidade – 49 cm.

Pedra de Armas com escudo e elmo com virol e timbre. O conjunto está assente numa cartela onde há ornatos conchados e decoração de inspiração vegetal. Composição esquartelada com a leitura seguinte: Peixoto, Freitas, Machado e Miranda. Timbre de Peixoto.





Pedra de Armas do século XVIII, (Nº inventário do M.A.S. – MAS L 38), proveniente da Casa de Marinhão(?) freguesia de Moreira de Rei

Doação do Dr. Leopoldo de Freitas

Altura – 131 cm
Largura – 78,5 cm
Profundidade – 49 cm.

Pedra de Armas com escudo e elmo, ornada com decoração fitomórfica.
Escudo de composição esquartelada com a leitura seguinte: Guimarães, Peixoto, Faria, Castro e Freitas.



Pedra de Armas do século XVIII, (Nº inventário do M.A.S. – MAS L 39), proveniente da Casa da Quintã, freguesia de Arões, S. Romão

Doação de António Leite de Castro.

Altura – 84 cm
Largura – 76,5 cm
Profundidade – 40 cm.

Pedra de Armas com escudo assente numa cartela decorativa. Coronel de nobreza. Escudo com a seguinte leitura: Sousa de Prado, Abreu e Bacelar.












SERRAS DE FAFE UMA UNIVERSIDADE MEGALÍTICA

Mamoa de Lameiras Aboim


As serras de Fafe albergam dezenas de monumentos funerários pré-históricos que estão por estudar e votados ao abandono. Um potencial de turismo cultural que testemunha as raízes ancestrais do concelho com cerca de 6.000 anos.


O concelho de Fafe com as suas 36 freguesias é um território fértil em vestígios arqueológicos que apresentam diversidade tipológica e uma cronologia com inicio na pré-história (c.4.000 a.C.). Referimo-nos a cerca de 6.000 anos de ocupação humana que deixou sinais traduzidos em inúmeros vestígios arqueológicos espalhados pelo concelho.
Desconhecemos ainda a altura precisa do primeiro estabelecimento humano por estas paragens, contudo cerca de uma centena de monumentos Megalíticos (mamoas) aqui identificados, provam que Fafe já era ocupado por comunidades pré-históricas.
Um pouco por todo o território fafense existem mamoas sendo nas Serras a Norte e Leste que se encontram em maior número; isoladas ou constituindo necrópoles.
O levantamento arqueológico realizado em 1983 e posterior actualização, em 2003, revelou que é acima dos 400 metros de altitude que estes monumentos funerários “emergem” da terra com maior frequência. A freguesia de Moreira do Rei lidera o grupo com onze mamoas; Em Aboim estão identificados dez monumentos; nos planaltos da Lagoa e no limite norte da freguesia; Monte aprece-nos com sete túmulos; Gontim com três; Pedraído também três; com dois monumentos cada, aparece-nos as freguesias de Estorãos, e Quinchães, enquanto Freitas, Queimadela e Várzea Cova registam apenas uma mamoa cada.
Um total de quarenta e um Monumentos funerários pré históricos foram já identificados neste concelho, em zona de montanha. Uma Universidade megalítica por estudar e em perigo constante de destruição, sobretudo por acções de florestação.
Alguns destes monumentos foram parcialmente “profanados” perdendo-se uma preciosa informação científica para o conhecimento daquelas pequenas comunidades ancestrais, com uma evidente organização social, agricultores, caçadores e recolectores cujo habitat se desconhece, talvez pela efemeridade dos materiais utilizados, nomeadamente vegetais e peles de animais.
Paradoxalmente estes primeiros ocupantes das serranias de Fafe construíram sólidas estruturas tumulares deixando antever a grande importância dos cerimoniais ligados ao culto dos mortos, cujo simbolismo está por desvendar.

Mamoa preservada em Lamas Braga



As mamoas são também um potencial turístico por explorar
Criação da “Rota do Megalitismo das Serras de Fafe” seria uma mais-valia

É esta uma Universidade Megalítica que nunca foi estudada. Fafe vai perdendo gradualmente a oportunidade de conhecer melhor as suas raízes mais profundas, deixando ao abandono estes vestígios arqueológicos que completam o quadro paisagístico da ancestralidade fafense, declinando o potencial turístico que encerram. Não seria complicado criar uma Rota do Megalitismo das Serras de Fafe, fazendo o estudo de alguns destes Monumentos, preservando-os, fazendo deles museus vivos articulados com um centro interpretativo. Seria certamente um complemento Cultural que enriqueceria sobremaneira o encanto natural das Serras de Fafe.
Entretanto os desportos motorizados, sobretudo na sua vertente “furtiva” vão, gradualmente, mutilando a paisagem e poluindo um ambiente natural que muitos gostariam de usufruir de forma mais civilizada.


Munumento violado - Moreira do Rei


PANÓIAS UM SANTUÁRIO ROMANO DO SÉCULO II OU III



Em finais dos anos 80 do século passado, tive o privilégio de integrar a equipa do extinto Serviço Regional de Arqueologia Norte que procedeu a trabalhos de recuperação e levantamento neste exemplar único da religiosidade romana.