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| Mamoa de Lameiras Aboim |
As serras de Fafe albergam dezenas de monumentos funerários pré-históricos que estão por estudar e votados ao abandono. Um potencial de turismo cultural que testemunha as raízes ancestrais do concelho com cerca de 6.000 anos.
O concelho de Fafe com as suas 36 freguesias é um território fértil em vestígios arqueológicos que apresentam diversidade tipológica e uma cronologia com inicio na pré-história (c.4.000 a.C.). Referimo-nos a cerca de 6.000 anos de ocupação humana que deixou sinais traduzidos em inúmeros vestígios arqueológicos espalhados pelo concelho.
Desconhecemos ainda a altura precisa do primeiro estabelecimento humano por estas paragens, contudo cerca de uma centena de monumentos Megalíticos (mamoas) aqui identificados, provam que Fafe já era ocupado por comunidades pré-históricas.
Um pouco por todo o território fafense existem mamoas sendo nas Serras a Norte e Leste que se encontram em maior número; isoladas ou constituindo necrópoles.
O levantamento arqueológico realizado em 1983 e posterior actualização, em 2003, revelou que é acima dos 400 metros de altitude que estes monumentos funerários “emergem” da terra com maior frequência. A freguesia de Moreira do Rei lidera o grupo com onze mamoas; Em Aboim estão identificados dez monumentos; nos planaltos da Lagoa e no limite norte da freguesia; Monte aprece-nos com sete túmulos; Gontim com três; Pedraído também três; com dois monumentos cada, aparece-nos as freguesias de Estorãos, e Quinchães, enquanto Freitas, Queimadela e Várzea Cova registam apenas uma mamoa cada.
Um total de quarenta e um Monumentos funerários pré históricos foram já identificados neste concelho, em zona de montanha. Uma Universidade megalítica por estudar e em perigo constante de destruição, sobretudo por acções de florestação.
Alguns destes monumentos foram parcialmente “profanados” perdendo-se uma preciosa informação científica para o conhecimento daquelas pequenas comunidades ancestrais, com uma evidente organização social, agricultores, caçadores e recolectores cujo habitat se desconhece, talvez pela efemeridade dos materiais utilizados, nomeadamente vegetais e peles de animais.
Paradoxalmente estes primeiros ocupantes das serranias de Fafe construíram sólidas estruturas tumulares deixando antever a grande importância dos cerimoniais ligados ao culto dos mortos, cujo simbolismo está por desvendar.
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| Mamoa preservada em Lamas Braga |
As mamoas são também um potencial turístico por explorar
Criação da “Rota do Megalitismo das Serras de Fafe” seria uma mais-valia
É esta uma Universidade Megalítica que nunca foi estudada. Fafe vai perdendo gradualmente a oportunidade de conhecer melhor as suas raízes mais profundas, deixando ao abandono estes vestígios arqueológicos que completam o quadro paisagístico da ancestralidade fafense, declinando o potencial turístico que encerram. Não seria complicado criar uma Rota do Megalitismo das Serras de Fafe, fazendo o estudo de alguns destes Monumentos, preservando-os, fazendo deles museus vivos articulados com um centro interpretativo. Seria certamente um complemento Cultural que enriqueceria sobremaneira o encanto natural das Serras de Fafe.
Entretanto os desportos motorizados, sobretudo na sua vertente “furtiva” vão, gradualmente, mutilando a paisagem e poluindo um ambiente natural que muitos gostariam de usufruir de forma mais civilizada.
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| Munumento violado - Moreira do Rei |