BREVE OLHAR SOBRE A ARQUEOLOGIA DE FAFE



O Concelho de Fafe é fértil em vestígios arqueológicos que, no estado actual do nosso conhecimento, traduzem uma ocupação humana, neste território, pelo menos desde o Neolítico final.
A este período são atribuídos alguns monumentos megalíticos, implantados nas terras altas de Fafe. É na Serra de Fafe, aliás, que reside o maior número de túmulos Pré-Históricos, cerca de meia centena. As freguesias de Aboim, Monte e Pedraído, são as que detêm maior número de vestígios megalíticos.
Deste mesmo período foram já identificadas algumas mamoas em áreas de menor altitude, a Sul do Concelho. Em Fafe, Armil, Quinchães, Arões (Santa Cristina) e Arnozela, foram identificadas algumas necrópoles e monumentos funerários isolados, Pré-Históricos.
Embora não se conheça a tipologia do habitat do Homem da Idade do Bronze por estas paragens, sabe-se que durante aquele período, o território que actualmente corresponde ao Município de Fafe era ocupado e muito provavelmente estará na origem de alguns dos povoados fortificados existentes.
Podem contar-se alguns abrigos, em afloramentos graníticos, cuja cronologia ainda é desconhecida.
Na freguesia de S. Gens existe um pequeno painel rochoso gravado, único exemplar de arte rupestre, conhecido até ao momento em Fafe, atribuível à Idade do Ferro.
A Cultura Castreja está aqui bem representada em dez povoados conhecidos até ao momento: Santo Ovídio, Fafe, Portela em Ribeiros, povoado de Lustoso em Paços, Retortinha em Cepães, Silvares S. Martinho, Castelo em Moreira do Rei, Travassós, Motim em Quinchães, povoado de S. Gens e Sancibrão em Seidões.
Da mesma forma que a Cultura do Bronze estará ligada aos povoados Proto-Históricos, também vestígios materiais da Romanização surgem com frequência associados a povoados de cariz indígena.
O Império Romano deixou também, por aqui, as suas marcas em quatro villae conhecidas na parte Sul do Concelho, mais precisamente nas freguesias de Antime, Silvares S. Clemente, Regadas e Arnozela.
A Idade Média é representada por pontes, necrópoles, sepulturas escavadas na rocha, sarcófagos, vestígios de um castelo roqueiro localizado em Quinchães e a jóia do património românico fafense, o Templo de Arões S. Romão.

















UMA PROPOSTA PARA DOMINGO



À semelhança dos anos anteriores, irá decorrer na Citânia de Briteiros, no próximo dia 6 de Setembro, uma actividade de Recriação Histórica, a "Citânia Viva".
O evento visa reconstituir um pouco o aspecto de algumas actividades do dia-a-dia na Idade do Ferro, no que seria um aglomerado importante na região do Entre-Douro-e-Minho. Não se tratando de Arqueologia Experimental, a Citânia Viva é um conjunto de encenações de algumas actividades específicas, nas quais se inclui um "almoço castrejo", um ritual de incineração e um "conselho dos anciãos".
O evento é organizado pela Casa do Povo de Briteiros, recorrendo a figurantes voluntários da comunidade local e alguns participantes de fora.

PONTE MEDIEVAL REVELA PENTAGRAMA



Estrela de 5 pontas (pentagrama)

Arco pricipal da ponte visto de jusante



Dando continuidade ao estudo da ponte medieval de Bouças-Sangidos encetado pela Associação ATRIUM, no passado sábado 29 de Agosto foi realizada a observação do intradorso do arco principal desta ponte, tarefa, até aqui, dificultada pelo elevado nível de poluição do rio. Agora que as fábricas a montante pararam para férias o rio apresenta-se mais limpo… infelizmente não será por muito tempo.
Na intervenção de 25 de Julho foram registados doze silhares com siglas no intradorso do arco quebrado da ponte. Trata-se de pequenas inscultruras representando os dois primeiros algarismos da numeração romana (I) e (II).
Nesta primeira observação do intradorso do arco maior, (carecendo de limpeza a pente fino das superfícies expostas dos silhares), não foram detectadas outras siglas para além de uma estrela gravada de forma pouco vincada num dos elementos graníticos do paramento intradorso da margem direita, próximo das aduelas para jusante a cerca de três metros da base actual do leito do rio.
O símbolo (estrela de 5 pontas), ocupa uma área de 10 cm2.
O nosso país não é fértil em estudos aturados de pontes medievais, pelo que não existe ainda, na minha modesta opinião, conhecimento suficiente para análises comparativas, sobretudo de âmbito regional.
É do consenso geral que este tipo de estruturas medievais ostenta marcas gravadas na pedra, designadas por siglas que muitas vezes identificam o ateliê onde os silhares foram talhados e mais esporadicamente exemplos epigráficos.
A ponte de Bouças-Sangidos não é excepção apresentando um total de 13 pequenas marcas até ao momento (lembre-se que ainda está por fazer a limpeza a pente fino e com ela podem surgir novos elementos).

O Pentagrama

A estrela de 5 pontas parece ter sido a representação astral preferida pelo Homem ao longo da História. Vulgarmente conhecida por pentagrama a estrela tem uma enorme carga simbólica, divergindo os significados consoante a época histórica e a religiosidade.
O pentagrama desta ponte parece ter sido gravado posteriormente à sua construção e inclinamo-nos mais para uma interpretação cristã, (as 5 chagas de Cristo). A orientação da estrela com apenas um dos bicos para cima exclui qualquer significado satânico onde a estrela é invertida apresentando dois bicos para cima numa atitude de vitória do mal sobre o bem.
Entretanto vamos continuar o nosso trabalho de interpretação deste magnífico exemplar da arquitectura Românica em Fafe.



ACÇÃO DE LIMPEZA NA PONTE DE BOUÇAS-SANGIDOS

BRAGA ROMANA 2009

AS PONTES MAIS ANTIGAS DO MUNICÍPIO DE FAFE

São a final 11 as pontes mais antigas conhecidas até ao momento no Concelho de Fafe. Haverá outras? talvez.... Nestas coisas do inventário de Património é melhor ser prudente e contar com eventuais surpresas. Foram quase todas construídas em época Medieval. Apesar de alguns lhes chamarem pontes romanas, na verdade e com muita pena minha, por aqui não passava qualquer via principal daquele período. As pontes antigas representam um testemunho importantíssimo para o conhecimento das redes viárias na antiguidade. Fafe não é excepção e tenho a certeza que poucos imaginariam que existe aqui um número tão grande de pontes Medievais. O meu caro leitor António Daniel, lançou-me um "desafio" que vou aceitar. Fazer um roteiro das pontes. Trabalho árduo que deverá também contemplar ensaios de reconstituição da rede viária mais antiga, utilizando os troços de calçadas que ainda hoje podem observar-se neste território. Como a minha escola arqueológica não me permite fazer trabalhos de forma leviana e/ou superficial, irei convidar técnicos desta área para em conjunto iniciarmos este interessante projecto. Fica claro que um trabalho desta envergadura necessita de algum suporte material.
As nossas pontes Medievais estão muito mal tratadas, não benificiam de limpezas de manutenção periódicas, não estão devidamente sinalizadas, carecem de intervenções de consolidação e não estão divulgadas. Há portanto muito a fazer neste campo tão fascinante das pontes antigas que apesar de tudo, continuam a resistir ao desleixo, mantendo-se firmes, continuando muitas a dar passagem para a outra margem.
Fica aqui o modesto apontamento, o singelo inventário das pontes mais antigas do nosso concelho e a promessa que envidarei esforços para que a curto prazo se inicie uma intervenção abalizada e eficaz visando a conservação, estudo, valorização e divulgação deste parimónio esquecido, aqui tão perto!
Ponte pedestre do Prego, Cepães, Idade Moderna


Ponte Medieval da Sanguinha, Pardelhas, Fafe

Ponte Velha de S. José, Antime-Fafe, (Medieval)


Ponte de S. Gidos, Golães-Fafe, séc. XIII


Ponte Românica das Romãs, Pardelhas, Fafe



Ponte Românica da Ranha, Fafe-Quinchães


Ponte Medieval de Docim, Quinchães


Ponte do Cancelo, Cepães (Idade a determinar)

Ponte Medieval do Arquinho, Pardelhas, Fafe


Ponte do Borralho, Várzea Cova, séc XIII/XIV

Ponte do Barroco, Golães Sec. X